07 setembro 2006

sem grandes refexões

Em pleno sete de setembro é chato dizer que não há nada muito importante a falar. Seria lugar-comum dizer que não temos independência nenhuma, que desfiles somente nos remetem a um passado do qual não temos orgulho.

Está muito frio em Petrópolis...

16 agosto 2006

o meu abraço

Meu abraço para os limpadores de vidraças de edifícios, para as faxineiras (não para as diaristas), para os colocadores de braços em bonecas, para os sopradores de canudo em produção de cristais, para os tratadores de leões, para os cabo-men, para os funcionários da Casa da Moeda, para as trabalhadoras das fábricas de meia-calça, para os afinadores de piano, para os testadores de microondas, para as ex-prostitutas que escrevem livros, para as moças que distribuem folhetos nos sinais, para os desentupidores de fogões, para os professores da Universidade Estácio de Sá.

28 julho 2006

Entro de férias em breve. Logo, mais posts.
Mas só para começo de conversa: com quantos paus se faz uma canoa?

22 junho 2006

Boteco produtivo parte III

Não tenho nada a dizer
tenho muito medo
só encontro caos.

...silêncios
palavras não ditas

Os amarelos partidos
me dizem que o momento
se ressente.

A aparente indefinição
mostra-se clara no momento
em que procuro me encontrar.
Vejo no outro a resposta esperada e ainda não dita.

E desfaço-me em pedaços construídos
ao longo de uma trajetória
oposta à vontade de evoluir...
Desconstrução, mutação contínua!

(Richard, Cirlene, Rodrigo, Paulinha, Carla)

21 maio 2006

Boteco produtivo parte II

Amigos, algumas rodadas um tanto conturbadas de chopp... guardanapo de papel e vontade de escrever. Quando três amigos se juntam, dá nisso! Aí vai mais uma jóia do Quarteto, desta vez em deficit de um de seus membros (daí um texto a apenas seis mãos):

Era um dia assim...
assim!
Todos os meninos queriam
Era uma vontade de querer
incrível.
Eu também queria e...
Por isso não me importava
Eu estava mesmo
apaixonado.
Buscando o ideal.
Mas o ideal é impossível
E se o impossível é o que se busca
realmente...
Mas como?
Poderá?
Sublimei o sublime.
Vendei os olhos
Neguei a razão
Busquei, busco você!!!

Cirlene, Richard, Paulinha

13 maio 2006

Coisas em
www.letrasdescompassadas.blogspot.com

27 abril 2006

Só para constar

Posto hoje apenas para não perder o coitado do blog. Os estudos agora começaram pra valer. Falta-me tempo para escrever aqui. Mas venho escrevendo bastante. O mestrado caminha e eu caminho com/ por ele. Com certeza no final desta estrada haverá um lindo céu azul, fontes de águas cristalinas, pessoas amigas sorridentes... Mas por enquanto: rala, filha!

07 abril 2006

Questão de respeito

Sou usuária do transporte coletivo da cidade de Petrópolis. Esse privilégio (epa! acho que fui irônica - mas dizem que eu tenho que agradecer por contar com este serviço...)...enfim, esse privilégio permite que eu seja espectadora de cenas memoráveis.

Ônibus cheio, horário de maior movimento. Eu estava feliz porque tinha feito avanços em relação ao post anteior (corrente positiva pra mim, galera!). Nada podia abalar minhas estruturas naquele dia. Assim eu pensava. Busquei um lugarzinho qualquer onde poderia ficar em pé com o mínimo de conforto em um trajeto de aproximadamente dois quilômetros pelo qual paguei abusivo R$ 1,70 (hoje pagaria R$ 1,90 - aumento dessa semana, resultado do novo reajuste no salário - que não por acaso chama-se - mínimo).
À minha frente, sentadinhas, duas tagarelas mocinhas entre nove e onze anos de idade. No banco posterior, uma mãe e seu filho que aparentava a mesma faixa etária das mocinhas. Mais um banco atrás, um casal com seus cabelos brancos.

Ao chegar a seu destino, o senhor se levanta e começa a despejar sua indignação: "Um monte de velhos em pé e essa meninada jovem sentada! São novos, passam o dia todo sentados na escola e ainda têm que ficar mais tempo sentados aqui!? Não estão vendo que tem pessoas mais velhas aqui?! O pior são essas mães que deixam os filhos aí sentadões... e ainda ficam me olhando com essa cara! É questão de educação! Eu acho isso um absurdo!" E diz essas últimas palavras olhado para mim. Eu concordo com um movimento de cabeça.

Bastou para que eu passasse o restante da terça-feira pensando nisso.

A mãe continuou calada, o filho meio tímido, agarrado a seu braço. As duas meninas foram de uma ironia irritante: "se eu sento lá atrás, brigam; se eu sento aqui na frente, brigam; se sento no meio do ônibus, brigam. Eu vou sentar onde? Da próxima eu sento no chão". E eu, em pé e em silêncio, olho para elas.

Compreendo que todos ali poderiam estar cansados. Mas lembrei-me de um motorista que certa vez pediu para que um menino deixasse uma senhora sentar-se em seu lugar. O menino respondeu que estava cansado. Nunca esqueci a resposta do motorista: "Você está cansado pelo que fez hoje, ela tem o cansaço de uma vida!".


A situação não se resolve com este ou aquele levantando-se para ceder o lugar. Penso que pelo que se paga por este serviço, dever-se-ia oferecer conforto a todos. Mas enquanto o desrespeito parte de cima, deveríamos humildemente fazer nossa parte.

Sem falso moralismo,
Paula da Silva Machado

29 março 2006

Amar

Amar v. tr. dir. Ter amor a; querer bem a; gostar muito de; desejar; apetecer; (ant) escolher. intr. estar enamorado, apaixonado: muito sofre quem ama. (Do lat. amare)

25 março 2006

Reunião

Aproveitando o tema proposto pela reunião da família morcegos deste mês (clique no 'link' para saber mais sobre os outros "parentes" que também estão participando), falarei um pouco sobre a profissão que escolhi.


Não é nada fácil fazer isso, ainda no começo da vida e ainda sem grande experiência na área. Mas creio que posso fazer uma meia dúzia de apontamentos.

Muitos profissionais têm a visão da docência com sacerdócio. Mas até que ponto isso pode rebaixar a profissão? Não se faz um grande advogado, que ganha R$ 20.000,00 mensais ou um milhão numa causa ganha. Não teríamos grandes cientistas, médicos, engenheiros... talvez se o professor colocasse mais amor na ponta do giz, teríamos melhores operadores de telemarketing, funcionários públicos, professores... Mas até que ponto esse amor é ruim?

O estado do Rio de Janeiro chega a pagar até R$ 5,00 por hora/aula a um professor. Seu trabalho não é valorizado pelo valor do mundo. O professor tem contas a pagar, filhos para criar, aluguel, condomínio... Como pedir a alguém que trabalhe mais e melhor sabendo este profissional que no final do mês seu esfoço não terá valido a pena? Aí entra o mito do sacerdócio. Se não somos valorizados como pensamos merecer, nos agarramos a um valor abstrado, que faz bem ao ânimo, à consciência mais não traz dignidade num mundo marcado pelo valor do dinheiro.

Não desdenho deste valor. quando escolhi ser professora, e professora de Literatura e Língua, que mexem diretamente com o sentimento humano, levei em consideração a satisfação do contato com pessoas; levei em consideração o prazer da leitura, o prazer de viajar para outros mundos. Mas, depois disso tudo, penso: por que o professor, o grande construtor do homem (depois da família) não merece esse reconhecimento também?
Sei que não escolhi essa profissão para ficar rica, mas temos direito a termos o trabalho reconhecido.


15 março 2006

descuido na coluna social

Contuibuição involuntária de um querido amigo.
Clique na imagem para ampliar.

Finalizando: o que se considera clássico, varia com os tempos. Muitas obras hoje consideradas "clássicas", foram, em seu tempo, consideradas populares e até inferiores. A partir disso, observe o texto da postagem anterior. Imagine esta "pérola" sendo considerada um clássico daqui a alguns anos! A sociedade muda, os valores mudam. Não saberemos o que acontecerá com os gostos no futuro, apenas sei que precisamos fazer alguma coisa.

Obrigada pela atenção. Não mais os chatearei com esse assunto.

13 março 2006

Mudando o tom

Depois de dois posts seguidos falando dos clássicos, quero mudar um pouquinho o tom. No próximo post eu explico porque fiz isso. Quem conhece esta bela página do cancioneiro nacional?
(no próximo post vão perceber que ainda rodeio o mesmo bom e velho assunto - e será a última parte, eu prometo).

Beijos aos leitores!!!

Se me vir agarrado com ela
Separa que é briga tá ligado!
Ela quer um carinho gostoso
Um bico dois soco e três cruzado!
Tá com pena leva ela pra casa
Porque nem de graça eu quero essa mulher!
Caçadores estão na pista pra dizer como ela é...
Se me vir agarrado com ela
Separa que é briga tá ligado!
Ela quer um carinho gostoso
Um bico dois soco e três cruzado!
Tá com pena leva ela pra casa
Porque nem de graça eu quero essa mulher!
Caçadores estão na pista pra dizer como ela é...
Caolha, nariz de tomada, sem bunda, perneta,
Corpo de minhoca, banguela, orelhuda, tem unha incravada,
Com peito caído e um caroço nas costas...
Ih gente! Capina, despença,
Cai fora, vai embora ,
Se não vai dança,
Chamei 2 guerreiros,Bispo Macedo o Cumpadre Quevedo pra te exorcisar...
Oi, vaza!
Fede mais que um urubu,Canhão!
Vou falar bem curto e grosso contigo, hein...
Já falei pra vaza!
Coisa igual nunca se viu...Oh vai pra puxa... Tu é feia! hein...


Estranhou?
Depois te digo o porque disso...

09 março 2006

Parte II

O combinado não é caro nem barato, é o combinado! Então, aí vai!
Começo perguntando a mim mesma se há uma explicação para a repulsa aos clássicos da literatura universal... Claro que sim. Olhar-se não é nada fácil. Observar a miséria humana, as paixões, as decepções, a revolta ou a história de amor que você sabe que nunca viverá pode trazer complicações, frustrações. Talvez por isso muitas pessoas gostem de fechar os olhos aos clássicos.
Qual não foi meu choque ao me deparar com um Romeu criminoso (honra ou paixão não retiram de si o crime); quanta angústia senti ao acompanhar Rodion Romanovitch Raskolnikov (Родион Романович Раскольников) e perceber que qualquer um pode ser tão solitário e explodir a ponto de jogar suas obrigações para o alto, mas desejando que uma Sônia esteja sempre lá para segurar nossa mão, a purificar-nos, a ver que há motivos para seguir.
Atualmente leio um livro chamado "Era dos Extremos", de Eric Hobsbawn. Nele, o século XX é passado em revista por este homem que viveu boa parte deste "breve século". Para compreender os processos relatados, confesso que foi de crucial importância a leitura prévia (e não programada) de Germinal. Magistralmente, Zola relata o quotidiano de uma vila de mineiros no interior da França no final do século XIX. Mineiros? França? Século XIX? Um instante: não estava eu a falar sobre o século XX neste parágrafo? E seria mesmo necessário abrir um novo parágrafo? Hobsbawn cita a Internacional Comunista, mas não explica o que ela é. Zolá cita a Internacional Comunista, explica-a em detalhes e mostra a relação de homens comuns com esta cópia malfadada de ajudadora dos revolucionários da sociedade entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Parece que expliquei a mistura das séculos, mas mineiros, interior da França??? Ainda não. Então olhe o noticiário, leia os jornais: trabalhadores exigem melhores salários, moradia, melhores condições de trabalho, dignidade (com a proximidade das eleições então...). É... século XIX ou século XXI?
Penso que isso é ser clássico!
Germinal trata de assuntos mais "palpáveis", Crime e castigo é totalmente introspectivo, vasculha o homem em seus aspectos mais íntimos - amor, medo, moral ou simplesmente (simplesmente?) o "ser". Quantas vezes já nos sentimos julgados, sem direito à defesa, sem saber do que somos acusados, às vezes até mesmo sem saber quem acusa? K. (O Processo) somos nós em algum momento.
Seria quase infinita a lista de grandes autores, grandes livros ou grandes personagens para exemplificar o quanto somos necessários ao universo literário e o quanto o universo literário é necessário a nós. Mas, como dito no início, encará-los pode ser doloroso. Mas para tudo há solução.
Cristo ainda nem havia passado por aqui e os gregos já se deliciavam com as comédias que apresentavam nos papéis principais seus governantes (bom ver que "Casseta e planeta", Tom, "Zorra", "Praça" não fazem nada novo! Aliás a coisa é velha demais! Graças aos deuses - sacou o trocadilho?). A miséria humana também faz sorrir e não há nada mais desconsertante que o riso alheio. Nem tudo, enfim, são espinhos nos clássicos.
Escrevo tudo isso quase como um desabafo, no intuito de dizer que ler é bom. Ler coisa boa é melhor ainda. Tentar compreeender o que se lê é supremo. Saber que os clássicos nunca se esgotarão é de humildade divina! Renda-se.

08 março 2006

Parte II

O combinado não é caro nem barato, é o combinado! Então, aí vai!
Começo perguntando a mim mesma se há uma explicação para a repulsa aos clássicos da literatura universal... Claro que sim. Olhar-se não é nada fácil. Observar a miséria humana, as paixões, as decepções, a revolta ou a história de amor que você sabe que nunca viverá pode trazer complicações, frustrações. Talvez por isso muitas pessoas gostem de fechar os olhos aos clássicos.
Qual não foi meu choque ao me deparar com um Romeu criminoso (honra ou paixão não retiram de si o crime); quanta angústia senti ao acompanhar Rodion Romanovitch Raskolnikov (Родион Романович Раскольников) e perceber que qualquer um pode ser tão solitário e explodir a ponto de jogar suas obrigações para o alto, mas desejando que uma Sônia esteja sempre lá para segurar nossa mão, a purificar-nos, a ver que há motivos para seguir.
Atualmente leio um livro chamado "Era dos Extremos", de Eric Hobsbawn. Nele, o século XX é passado em revista por este homem que viveu boa parte deste "breve século". Para compreender os processos relatados, confesso que foi de crucial importância a leitura prévia (e não programada) de Germinal. Magistralmente, Zola relata o quotidiano de uma vila de mineiros no interior da França no final do século XIX. Mineiros? França? Século XIX? Um instante: não estava eu a falar sobre o século XX neste parágrafo? E seria mesmo necessário abrir um novo parágrafo? Hobsbawn cita a Internacional Comunista, mas não explica o que ela é. Zolá cita a Internacional Comunista, explica-a em detalhes e mostra a relação de homens comuns com esta cópia malfadada de ajudadora dos revolucionários da sociedade entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Parece que expliquei a mistura das séculos, mas mineiros, interior da França??? Ainda não. Então olhe o noticiário, leia os jornais: trabalhadores exigem melhores salários, moradia, melhores condições de trabalho, dignidade (com a proximidade das eleições então...). É... século XIX ou século XXI?
Penso que isso é ser clássico!
Germinal trata de assuntos mais "palpáveis", Crime e castigo é totalmente introspectivo, vasculha o homem em seus aspectos mais íntimos - amor, medo, moral ou simplesmente (simplesmente?) o "ser". Quantas vezes já nos sentimos julgados, sem direito à defesa, sem saber do que somos acusados, às vezes até mesmo sem saber quem acusa? K. (O Processo) somos nós em algum momento.